quinta-feira, 25 de março de 2010

Crente ou evangélico?

Há mais ou menos duas semanas que estou sem tempo nenhum pra escrever aqui o que é uma pena porque eu estava gostando, mas eu prefiro não escrever nada do que ficar aqui colocando abobrinha. Sei que o número de seguidores deste modesto blogg é bem pequeno mas devo honrar aqueles que se prestam a ler.



Lembro-me de, quando ainda criança, dizer que era crente era motivo de piada na escola. Falar nisso, quem hoje em dia diz que é "crente"? Não pelo significado mas ao que essa palavra nos remete. O "crente" foi substituído pelo "evangélico" que hoje em dia já está desgastado em vista do que alguns de nossos irmãos, parlamentares ou não, andam aprontando. Esse é o primeiro ponto a respeito do qual quero falar.

O crente era aquele cara que falava de Jesus incessantemente. O evangelista da rua, de porta em porta, que não tinha do que se envergonhar, e tal. Os crentes que achavam isso vergonhoso e pensavam que "jamais teria coragem de fazer isso" porque "é improdutivo", "vexatório", etc, passaram a se denominar "evangélicos" no intuito de se diferenciar daquele irmãozinho, "o Bíblia". Não sei dizer se houve alguma premeditação nisso, provavelmente não, mas para pra pensar: hoje se alguém fala que é "crente" a imagem que vêm à cabeça é uma e se fala que é "evangélico" é outra. Exatamente como o governador de SP quer fazer com a Polícia Militar de lá. Mudar o nome para Força Pública de Segurança, ou algo parecido, para aproximar o cidadão comum, tornar mais aceitável... ou mais politicamente correto? Bem não sou de SP, isso não me interessa.

Então passamos a nos autodenominar "evangélicos". O evangélico é mais polido, escolhe o momento certo de falar da cruz. De preferência num local reservado, sem muito barulho e claro num momento oportuno. A pior coisa que poderia acontecer é que aquela pessoa se sentisse "importunada" pela mensagem do arrependimento. Todo mundo então virou evangélico (com o tempo um ou outro dizia que era gospel já mudando o sentido novamente...). No dia que alguém descobria que o cara era crente e perguntava ele soltava: "Não! Eu sou evangélico!"

Me lembro que na época que éramos chamados de crentes, essa posição dava ao meu pai crédito na Mercearia São Francisco, do Seu Chico; no verdurão do Seu Augusto e com a moça que vendia Yakult na minha rua (ela passava uma vez por semana entregando uma certa quantidade lá e meu pai pagava sempre no fim do mês rssr). Éramos respeitados, tínhamos um caráter conhecido e reconhecido pelos vizinhos. Quase todo o dia alguém vinha até minha casa pedir conselhos ou oração pra Irmã Eunice (até hoje vão lá).

Agora somos evangélicos... somos empresários, assessores, políticos, artistas, temos uma vida pública.
Não falo de todos e seria uma idiotice se eu assim o fizesse mas qual o exemplo que damos hoje em dia? Há muito tempo perdemos nossa identidade. Deixamos de ser o sal da terra, a luz do mundo! Se hoje algum evangélico chega em um estabelecimento e diz que é evangélico a possibilidade de conseguir algum crédito cai vertiginosamente! Conheço dono de loja de instrumento musical que facilita compras para estúdios. Ele vende e monta tudo. Divide o pagamento em cartão, cheque, nota promissória, ticket refeição, vale-transporte, etc. mas ele ja me disse que se chegar dizendo que é pra igreja só vende à vista e só entrega depois da compensação do cheque. Nesse dia ele me mostrou um calhamaço com mais de trinta cheques sem fundo, num prejuízo de cerca de 30 mil Reais. Olhei os cheques e quais eram os nomes dos titulares das contas? Igreja fulana de tal, sicrana, etc. Não me envergonho do evangelho! De forma nenhuma! Sou portador de boas novas, de salvação e falo delas a qualquer tempo para quem quiser. Mas me envergonho dos "evangélicos". Como não? "Nossos" empresários são flagrados pagando propinas para assessores de deputados que oram a Deus em rede nacional agradecendo ao Senhor pela "bênção". E os artistas? Bom, eu nunca imaginei que isso fosse possível (acho que nem em Sodoma ou em Gomorra) mas tem uma irmã aí que gravou um filme "pornô evangélico". Aleluia irmã.

3 comentários:

  1. nem me fale... eu ja parei de dizer q sou evangelica faz tempo, sou crente mesmo. me envergonho toda vez q citam "o pastor do cruzeiro q estuprou a filha de 9 anos q engravidou, e pior, nao deixou ela abortar pq era contra a igreja" ¬¬
    ou quando falam "do pastor que traia a pastora e essa se suicidou, a filha encontrou o corpo. 2 meses depois ele tava casado novamente" ou da "maquina de cartao de credito de certas igrejas".
    acho q deveria haver tradição nas igrejas. as pessoas "evangelicas" estao muito hipocritas. [n todas.] Acredito em "mais JESUS menos religiao" por observar muitas coisas dentro de igrejas. mas ir a igreja sempre, eh alimento. Mas vou dizer hein, oo coisinha complicada =/

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  2. eu digo e repito....

    Eu quero ser crente!!!

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  3. neberfv@uol.com.br14 de abril de 2010 20:55

    Concordo em Genero, numero e grau. Poucas da IBRV sabem, mas sou crente desde que nasci. Nasci num lar evangelico. Meu pai era presbitero da Igreja Presbiteriana em Planaltina-DF. Fui do grupo infantil da igreja, depois dos adolescentes, depois jovens, a princípio, foi a minha época de jovem que iniciamos o uso de violão, teclado, bateria na igreja, pois a mesma era super tradicional. Sempre me considerei Crente. Falo para os meus filhos que eles são crentes e não evangelicos. Não estou dizendo que se entitular evangelico esta errado, pois o evangelho são as boas novas e os evangelicos os que vivem as boas novas, mas como vc disse não é o que esta acontecendo. Virou realmente modismo..

    Sou CRENTE com muito orgulho..

    Néber

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